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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cursos de máscaras em 1984

Em Minneappolis, participei de oficinas e vi espetáculos do grupo franco-americano Théâtre de la jeune lune, que me encantaram com suas acrobacias e referências à commedia dell'arte. Eles viviam parte do ano também em Paris e estão na origem de meu interesse em fazer doutorado por lá. Antes mesmo de voltar para Salvador, para o réveillon de 1983/ 1984, fui convidado (e aceitei) para dar curso de interpretação com máscaras no Teatro Castro Alves, em paralelo a curso de criação de máscaras com Ewald Hackler. A primeira leva desses cursos foi um scesso. A segunda, mesmo anunciada, sem motivação aparente, foi suspensa, como dão conta as notas abaixo... que, aliás, também registram a revelação da "jovem talentosa cantora Margareth Menezes", denúncias e comentários sobre reclamações relativas à premiação dos melhores do teatro baiano nessa época...





terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Spring Romance: um mestrado (só) "prático"?

À época (1981/83), havia dois tipos de mestrado para a área de artes nos EUA: o Master of Arts, MA, para os interessados em carreira acadêmica, e o Master of Fine Arts, MFA, para os destinados ao mercado profissional do espetáculo. Também havia então o Latin American Scholarship Program for American Universities, mantido pela Fundação Fulbright (e, segundo meu orientador norte-americano, Robert Moulton, um meio dos EUA buscarem apoio na América Latina). LASPAU mantinha parceria com a CAPES (então Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior, do Ministério da Educação e Cultura), criada pelo grande educador baiano Anísio Teixeira e privilegiava a área de artes, o que acabava por beneficiar a Bahia, por conta de suas famosas Escolas de Artes universitárias. Concorri e ganhei uma das 10 bolsas disponíveis para o Brasil para 1981, ao lado de Deolindo Checcucci e Lia Rodrigues, da, à época, mesma Escola de Música e Artes Cênicas da UFBA (onde eu me encontrava), o que também aconteceu com ouros colegas baianos, como Harildo Deda, Yeda Maria, Jamison Pedra e Maria Adair, por exemplo.

Após curso intensivo de English as a Second Language na Universidade de Pittsburgh, em sua Cathedral of Learning, entre abril e agosto de 1981, segui para a U. of M., em Minneapolis, onde cumpri meu MFA em Interpretação Teatral, finalizando-o com o recital Spring Romance, que reunia uma peça de mímica, uma canção e seis cenas teatrais de períodos e gêneros diversos.

Este recital e a produção de três artigos, resultados parciais das atividades de pesquisa do mestrado, ao lado da obrigatoriedade de participar das audições de todas as produções (até sete por ano, que me levaram a compor o elenco de Henry V e Scapino) foram os requisitos para a obtenção do diploma de MFA. Todos os três artigos que então produzi estão publicados:

Dramaturgia brasileira em aulas de interpretação (publicado originalmente em Art Revista da Escola de Música e Artes Cênicas, n. 11, Salvador, UFBA, 1984, p. 45-94 e, também, em BIÃO, Armindo, Teatro de cordel e formação para a cena: textos reunidos, Salvador, P&A, 2009, p. 321-356) - seleção de diálogos para personagens só masculinos, só femininos e casais, cômicos e dramáticos, de seis dramaturgos brasileiros, com indicação de fontes e sugestões de exercícios para atores em formação;

O ator nu: notas sobre seu corpo e treinamento nos anos 80 (publicado originalmente em Art Revista da Escola de Música e Artes Cênicas, Salvador, UFBA, v. 5, 1982, p. 33-50 e, também, em BIÃO, Armindo, Teatro de cordel e formação para a cena: textos reunidos, Salvador, P&A, 2009, p. 371-384) - comentários e sugestões de preparação corporal para atores, com explícita indicação da capoeira, particularmente para sua  formação na Bahia;

e Supporting Paper on Spring Romance: a Master of Fine Arts Acting Recital (publicado em BIÃO, Armindo, Teatro de cordel e formação para a cena: textos reunidos, Salvador, P&A, 2009, p. 357-369) - informações e reflexão sobre a seleção de material de referência e a preparação do recital.

Aqui o cartaz, programa e notícias de Spring Romance, inclusive da exibição, em Salvador, do documento áudio-visual do espetáculo (parcialmente recuperado em DVD de um desgastado VHS), bem como de uma oficina que foi sua consequência.

arte de Gordon Purcell




domingo, 4 de dezembro de 2011

Shakespeare, Anouilh e Oxum

Minneapolis reúne o minne, de água, na língua dakota, com o polis, de cidade em grego e, de fato, é conhecida por seus muitos lagos, pelo rio Mississippi e pela cachoeira de Minnehaha (a água que ri, que se enrola ou que, simplesmente, cai). Berço de Bob Dylan e Prince, Minneapolis, com a maior população ameríndia norte-americana urbana, forma, com sua vizinha Saint Paul, um importante aglomerado metropolitano (conhecido como The Twin Cities, as cidades gêmeas) no meio-norte dos EUA, local da melhor qualidade de vida no país.

Capital do estado de Minnesota (terra da água), conhecido como o The Ten Thousand Lakes State (estado dos dez mil lagos), onde fica a Universidade de Minnesota, cujo departamento de teatro é o mais antigo dos EUA (com cerca de 80 anos), é mais ou menos onde o vento do polo norte, que entra no continente pela Baía de Hudson, no Canadá, faz a curva, sugerida pelos grandes lagos norte-americanos (Superior, Huron, Erie, Michigan, Ontario). O frio aí é muitas vezes mais severo que o do Alaska. Suas tempestades de neve (blizzards) fecham o aeroporto local com frequência. A neve domina quase metade do ano. A temperatura fica abaixo de 0º C quase três meses e não é raro descer abaixo de 20º C negativos, chegando, com o fator vento (windchill), a menos 30º C.

Aí vivi de agosto de 1981 a dezembro de 1983, com bolsa da CAPES/ Fulbright, pelo programa LASPAU, Latin American Scholarship Program for American Universities, para um Master of Fine Arts em Interpretação Teatral. Assim fiz o Henry V e o Scapino e mais três participações em eventos artísticos (documentos abaixo), antes do Recital final do curso e ao lado da iniciação à pesquisa, que gerou três papers publicados. O último desses documentos contém minha admiração pelo poder das águas, nesse caso doce, de Oxum. Ora iê iê ô!