sexta-feira, 22 de julho de 2011

5 anos de estreias nos anos 1960: 65/ 69

clicando duas vezes em qualquer imagem, ela se amplia
para ser bem visualizada e lida, quando houver para tal

À esquerda: Jandira, Armindo, Osvaldo e Alcione no cenáculo do Centro Espírita Mansão do Caminho, à Rua Barão de Cotegipe (Calçada), apresentando fragmentos de Liberdade, liberdade, de Millor Fernandes e Flávio Rangel, direção de Vieira Neto, o que também foi feito numa sede da Federação Espírita Baiana entre Nazaré e o Barbalho (1965). Centro alto: ingresso da peça de Carlos Sarno (publicada em http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revteatro, inclusive com análise e contextualização histórica), do Grupo Amador de Teatro Estudantil da Bahia - GATEB, proibida no Colégio da Bahia (Central), no Restaurante Universitário e no Mosteiro de São Bento (1966, que gerou uma dissertação de mestrado: CARNEIRO, Cesar Oliveira. Aventuras e Desventuras: A peça Proibida e a Greve de estudantes que desafiou a ditadura em 1966. Dissertação (Mestrado em História), FFCH, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.). À direita: foto de divulgação do Teatro dos Novos para o Festival Molière, dirigido por João Augusto, no Teatro Vila Velha, de cujo programa parte (a referente aO médico à força, que, acho, foi apresentada em duas semanas oito vezes) está abaixo (1967).


Nota de divulgação do espetáculo Conhecimento de Natal do Teatro dos Novos,
de João Augusto, apresentado no Teatro Vila Velha  três vezes, de quinta a sábddo (1967)
e capa e programa dos 15 dias de arte II do GAFF (1968)


Ficha técnica de Citoproctus, texto de Antonio Brasileiro, direção de Luciano Diniz (apresentada três vezes, de domingo, quando o elenco encerrou o espetáculo atirando tomates e ovos no público, a terça-feira, quando o público, que já entrara no jogo na segunda-feira, interagiu com o elenco, também já preparado desde a véspera, numa "guerra" de tomates e ovos que deixou o auditório em "petição de miséria") dos 15 dias de arte II do GAFF, mais as atividades 1967/ 1968 do GAFF e seus créditos de patrocínio e coordenação (1968)
e, também, monitores da II Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, em foto de lambe lambe da Praça Cairu: Armindo de pé é o 3º a partir da esquerda com toalha nos ombros, citando Riachão (1968)

Número 7 da publicação Cordel com peças de teatro de Antonio Brasileiro e Jacinto Prisco, sendo esta, a Panis Infernalis, dedicada a Bião, Verinha [Lessa] e Luciano [Diniz] (1969)






















No nº 2 tem a Mulher de Roxo e Meu Tio do Morro do Escravo Miguel em Ondina

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Gozando com o olhar do outro nos anos 1950

desde bem bebê:

... mas, também, à direita, no Santo Antonio em Alagoinhas, ao lado do alpendre da Vó Dindinha Jesuína (de matuto arrumadinho, com a irmã)...

... à esquerda (no Clube Fantoches da Euterpe, premiado...) e abaixo, também de folião carnavalesco...





... e em concerto na sinagoga (do Campo Grande, em Salvador, aluno de Helena Zolinger, o 2º a partir da esquerda na primeira fila, só curtindo... sem tocar...), sempre nos anos 1950:
garoto pequeno sub-burgês ("índio" de Itapagipe, em fotos do tio materno e padrinho Raul Nobre Martins), posando e gozando, também e ainda nos anos 1950:

e posando (meio ao acaso -?-), de modo expresso (com a irmã, na porta de casa, de mãe Dulce e pai Romeu, no Largo de Roma, de Itapagipe, hoje a Praça de nossa velha vizinha Irmã Dulce) e flagrando o fotógrafo, mesmo portando algo que lê (ao lado do o pai, na Rua Chile ou da Misericórdia, de Salvador BA), sempre nos anos 1950 (ainda sem o abuso????)...

O primeiro número do Verbo Encantado

    A ideia é publicar na íntegra, com apoio técnico da Mestre em História pela UEFS BA, neste meu (nosso) blog, cada um dos 22 números de nosso jornal, um por dia, começando hoje... Aparentemente, sou a única pessoa a possuir uma coleção completa do jornal que, para pagar as dívidas que fiz com ele, me custou quatro anos de trabalho (três dos quais morando num minúsculo quarto de serviço, onde só podia abrir os braços quando sentado na cama). Meus sócios Alvinho e Ceomara e suas famílias também pagaram sua parte da dívida. Agora, sem débitos e detendo os direitos de edição, compartilho com vocês este que me parece precioso material sobre o início dos anos 1970, a contracultura, Salvador etc. Cada página do jornal é uma imagem, sobre a qual, se você clicar duas vezes, pode ampliar, ver e ler tudo.
    No Verbo Encantado, paradoxo da palavra da razão (verbo), que distingue uma coisa da outra, adjetivada pela palavra que remete ao que não é razoável, à confusão e à maravilha, ainda que naqueles tempos de chumbo no Brasil, eu assino Armindo Jorge Bião, Almir Cunha, Alfredo Gutmann, Armindo (simplesmente) e (cúmulo da pretensão...) Nós, se bem me lembro de tudo... Antes, em 1967 e 1968, quando fui ator de João Augusto Azevedo no Teatro Vila Velha e de Luciano Diniz no Grupo de Arte da Faculdade de Filosofia, eu era Jorge Bião. Assim, também, me chamam (ou chamaram) Miminho, Mimo de Céu, Bico, Grão de Bico, B, Bi, Binho, Baianinho Maricota da Anunciação e Armindo Bião. Sou pessoa do intermédio (não sou só um nem só outro), de gêmeos, Hermes, Mercúrio e das encruzilhadas, ator e poeta, com mil caras e mil nomes...





















quarta-feira, 6 de julho de 2011

Em breve aqui: o verdadeiro Verbo Encantado


     O Verbo Encantado (cujos 22 números, catalogados e digitalizados pela Mestre em História pela UEFS BA Manuela Muniz, serão publicados aqui, um a um, neste blog) foi um jornal semanal, com dimensões de tablóide, do qual foram impressas e divulgadas nacionalmente 22 edições, 20 delas semanalmente, entre outubro de 1971 e março de 1972, e outras duas (as últimas) de forma irregular, em junho e julho de 1972. Os quatro primeiros números do Verbo tiveram 20 páginas e todos os demais 24. O jornal foi editado pela Alef Empresa Jornalística Limitada, criada para este fim específico e formada por três sócios (Álvaro Guimarães, Armindo Bião e Ceomara Paim Couto), que assumiram empréstimos bancários para suas primeiras edições. A intenção era que, posteriormente, o jornal fosse financiado pela venda de exemplares em bancas de revistas e pela inserção de anúncios publicitários. Mas o fracasso financeiro foi total.
     Suas despesas foram, principalmente: os custos de impressão; o aluguel de uma pequena casa, de, aproximadamente, vinte metros quadrados, numa "avenida" de casinhas populares, situada numa escadaria entre a Rua Visconde do Mauá e a Avenida Contorno, em Salvador, Bahia (Rua Visconde do Mauá, nº 53, casa 3); o uso de uma linha telefônica e de energia elétrica; e o salário de um empregado, que atuava como mensageiro e um pouco como "faz-tudo".
     Sua receita se restringia, praticamente, às vendas de exemplares em bancas de revistas, uma vez que os pouco numerosos anúncios (9,6 anúncios, em média, por número), eram, principalmente, anúncios classificados de roupas (usadas em matérias do próprio jornal) e de equipamentos e serviços fotográficos (idem), por exemplo, caracterizando mais uma economia de escambo que outra coisa. Os anunciantes, como pequenas lojas de roupas e de material, além de bares e restaurantes, também eram bastante modestos, apesar de ter havido o caso de uma companhia aérea que fez 16 inserções publicitárias de página inteira.
Em relação à venda em bancas de revistas (embora não disponhamos de números precisos), o jornal passou por diferentes fases. Seus seis primeiros números saíram, oficialmente, com 10.000 exemplares, mas com, apenas, 5.000 exemplares impressos, efetivamente e destinados à distribuição, exclusivamente, no Estado da Bahia. Sabe-se, inclusive, que o Verbo teria, por vezes, ultrapassado, em vendas (na Bahia), o semanário O Pasquim, publicado no Rio de Janeiro e pioneiro, no Brasil, deste tipo de imprensa.
      A partir do número sete, o Verbo começou a ser distribuído, pela Distribuidora de Publicações Souza S. A., também, no Rio de Janeiro, e, a partir do número oito, igualmente em São Paulo. Do número catorze ao dezenove, o Verbo circulou na Bahia, como um encarte da Edição Especial de domingo do jornal diário Tribuna da Bahia, sendo, simultaneamente, distribuído em todo o país (exceto Amazonas) como um tablóide avulso, com a tiragem divulgada de 50.000 exemplares. Nesse período, os editores do jornal, além de suas despesas habituais de manutenção e das dívidas com os empréstimos bancários já feitos, começaram a se comprometer a pagar, também, os custos de impressão do jornal nesta nova fase, à EDISA, a Editora da Bahia S. A., que editava a Tribuna da Bahia.
     O número vinte do Verbo (de março de 1972) foi o programa do primeiro concerto de Caetano Veloso e Gilberto Gil após seu regresso de Londres, que aconteceu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, numa promoção da Rede Globo de Televisão Globo e da gravadora Phonogram, que produziam seus discos. Na verdade, a Globo e a Phonogram pagaram apenas a impressão desse número, já que toda sua produção foi realizada em Salvador (exceto pela diagramação), sob a responsabilidade (incluindo os custos) dos editores do jornal. Esta edição especial, assim como as outras duas que se seguiram e que foram, estas últimas, produzidas e impressas no Rio de Janeiro, não indicam o número de exemplares impressos.
       Por não ter como pagar os empréstimos bancários e as despesas de impressão do Verbo, desde seu início, a empresa Alef faliu e seus sócios (inclusive familiares de alguns deles) precisaram de, pelo menos, três anos, para saldarem todas as dívidas juridicamente cabíveis. Os jovens editores sócios da Alef, que tinham entre 21 e trinta e poucos anos nessa época, eram mesmo inexperientes em gestão e foram, facilmente, considerados drogados irresponsáveis. O que era compatível com o espírito da publicação, identificada com a imprensa dita alternativa, a contracultura, a cultura underground e marginal, que misturava oralidade cotidiana e gírias, para tratar, sobretudo, de temas ligados à música (sobretudo ao rock), ao cinema, ao misticismo, à contracultura e à vida cotidiana jovem do verão de Salvador, com importantes inserções relativas à negritude.
     Seus textos incluíam, além de reportagens, poemas, experiências literárias, contos, histórias, entrevistas, cartas e respostas, e suas ilustrações, muita fotografia, mas também desenhos e quadrinhos, distanciando-se, assim, bastante, do padrão editorial da grande imprensa do período e até mesmo de O Pasquim. O Verbo era impresso em off-set e preto e branco, com raras inserções da magenta, em molduras de frisos em capas (nos números 14, 15 e 19) e num detalhe único (um sol vermelho) de um desenho do artista Ângelo Roberto, publicado em páginas duplas centrais.
     O público consumidor era, provavelmente, composto de jovens de classe média e outras pessoas interessadas nas artes (sobretudo a música), em misticismo, contracultura e cultura baiana, tratada em muitas reportagens sobre o povo da cidade da Bahia, os mercados populares, as festas de verão (incluindo o carnaval) e as praias da Bahia. O período de outubro de 1971 a março de 1972 ficaria conhecido como o "verão do desbunde", quando Salvador (juntamente com o povoado praiano de pescadores e "hippies", do litoral norte baiano, Arembepe) se tornou um ponto de passagem obrigatório para todos os intelectuais, jornalistas e acadêmicos "em transe", na expressão de Caetano Veloso, em um texto escrito para o Verbo (1972, p. 5). E nesse contexto, o próprio Verbo era um ponto de referência e de visitação, a alguns passos da Praça Castro Alves, centro então inconteste do carnaval baiano, e não muito distante da praia do Porto da Barra.
     A emblemática do jornal compreendia um logotipo verbivocovisual e a imagem de uma mulher negra. O primeiro incluía uma boca aberta, com a língua para fora e um olho em seu interior, evocando a famosa marca dos Rolling Stones, a oralidade tradicional e a pesquisa em artes gráficas. Quanto à mulher negra baiana, sua imagem primeira (na capa do número um do jornal) era descrita assim; "Nasceu com 'Barravento' de Glauber Rocha, fêz (sic) teatro, agora é mulher VERBO. Flora, bela, magra, maga. Santa. Flora, na sua estação, silvestre e negra. E nossa imagem. Flora, internacional, modêlo (sic) e manequim".
     Essa pessoa representava todos os aspectos estéticos, lúdicos, artísticos, místicos, ecológicos e sociais do Verbo Encantado, como opção do Verbo, num momento da conjuntura sócio-política nacional em que outras pessoas, da mesma geração, haviam optado pelo estritamente político. O número cinco do jornal anunciava a morte de Flora, de uma doença associada às condições precárias de higiene e habitação de grande parte da população brasileira, a doença de Chagas. Flora vivia em local bem próximo do Dique de Tororó, onde mora a misteriosa Oxum. O Verbo Encantado lhe sobreviveu, apenas, mais alguns meses.
     O Verbo, por seu prenome, parece representar uma busca pela modernidade. De fato, seu primeiro editorial afirma "verbo é o que distingue uma coisa da outra". Trata-se bem aí da busca do racional e do razoável. No entanto, em seu sobrenome, na palavra Encantado, define-se o substantivo "verbo" em combinação com o "mito" e, portanto, como algo, aparentemente, contraditório com essa ideia bem lógica de modernidade, mas bem, também, de acordo com um novo ar do tempo, bem mais complexo, que parecia, então, querer surgir.
Referências
     Editorial. In Verbo Encantado, n. 1. Salvador: Alef, 1971, p. 2.
     MOREIRA, Sonia V. Retratos brasileiros: 20 anos de imprensa alternativa. In Antologia Prêmio Torquato Neto Ano 2. Rio de Janeiro: Rioarte, 1984 (P. 22).
     PEREIRA, Carlos A. M. O que é contracultura. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 97.
VELOSO, C. Caetano Veloso solta o Verbo. In Verbo Encantado, n. 21. Salvador: Alef, 1972, p. 5.
     VILELA, Gileide et alii. Os baianos que rugem: a imprensa alternativa Na Bahia. Salvador:
EGBA, 1996.